Para quem chega agora...


É muito frequente pedirmos ajuda de alguém quando estamos passando por algum problema, seja ele de qualquer natureza. Sentimos também o impulso de perguntar: ...e se fosse com você, o que faria? Como se comportaria? Esta pergunta é feita porque naquele momento precisamos de respostas que nos ajudem a tentar enxergar o mesmo problema por ângulos diferentes.

Este não é um espaço onde você encontrará respostas prontas e conselhos do que deveria fazer. Não podemos assumir nunhuma responsabilidade pelos seus atos.

O que você poderá obter daqui são apenas posicionamentos de pessoas que provavelmente você não conhece nem nunca virá a conhecer. Talvez isso possa te ajudar a encontrar uma alternativa ou uma forma de encarar os fatos de maneiras diferentes e ajudar, através da sua experiências, outras pessoas com problemas semelhantes.

Leia no nosso sidebar como funciona tudo por aqui. Um abraço e força!!

7 de set de 2011

Se fosse com você, correria riscos para ter um bebê?

Amiga, esta é uma dúvida real na minha vida.

Há quase 1 ano e 10 meses atrás, eu tive a morte do meu filho ainda dentro de mim com 6 meses de gestação, e descobri entrando em trabalho de parto.

Tudo foi muito traumático porque eu já amava meu filho mais do que tudo no mundo.
Me lembro que na primeira pontada que senti, sabia que era contração e corri para o hospital, mas ao chegar lá, em menos de 1 hora,  já estava com 10 de dilatação. Impressionante como a gente se mantém consciente pelo melhor para o filho, mesmo em situações assim.

A primeira coisa que perguntei à médica que estava me atendendo era se ali tinha UTI NeoNatal, pois até então eu não sabia que ele havia morrido, achava apenas que estava apressado. Não houve tempo de fazer ultrassom, tive que ir correndo para a sala de parto, e foi durante o parto (normal) que soube que ele estava morto.

Mas antes dele nascer, eu pedi ao médico que foi fazer a minha cirurgia, que fizesse cesária, pois assim o bebê teria mais chances (um parto normal exige muito do bebê). E ele disse que não, pois na altura em que estava a minha gravidez e a posição do útero, ele poderia me condenar a não ter mais filhos, ou demorar muito a ter, caso fizesse uma cesariana.

Acredito que Deus fez o melhor que pôde por mim, pois naquele dia, quando cheguei ao hospital, o plantão era de uma pessoa inexperiente. O médico que fez o meu parto, o Dr. Humberto Tindo, um médico e ser humano maravilhoso, não estava lá, tinha ido atender uma emergência para a filha de um amigo, e quando soube da minha situação, se prontificou imediatamente a fazer o meu parto, todos é claro na esperança de fazer o melhor para os dois – mãe e bebê.

Foi ele que na sala de parto, me informou pela primeira vez da possibilidade do meu bebê estar morto e que, por isso, ele não me arriscaria fazendo uma cesária, a não ser que ele tivesse certeza que ainda poderia salvar o bebê. Certeza esta que não havia tempo de ter.

Mas por incrível que pareça, embora meu mundo tenha desmoronado (ainda mais), ele foi o tempo inteiro carinhoso, atencioso e humano, além de muito profissional. Foi o momento mais difícil da minha vida, mas eu estava em boas mãos. Ao ver que meu filho estava nascendo sem vida, ele me falou o que tinha acontecido e eu entrei em estado de tristeza profunda.

Ele me disse que achava que eu não tinha condições de vê-lo no estado em que eu estava, e me perguntou se poderia me dar uma anestesia para dormir. Eu aceitei. Ao acordar, fiquei internada 1 semana, porque estava com uma infecção muito forte. Durante este tempo todos os médicos me disseram que foi morte súbita, sem explicação aparente, inclusive o obstetra que acompanhava a minha gravidez. Do Hospital eu mesma comandei a papelada de licença do trabalho, acionei o seguro, providenciei o enterro do meu bebê. Mas não tive coragem de vê-lo, ou forças, não sei. Achei que já estava dolorido demais como estava, e me prendia às ações práticas para não sucumbir.

Por 40 dias a tristeza me consumia e passava todas as noites chorando. Até que resolvi reagir, e que era tempo do luto terminar. Tive a ajuda de um anjo em forma de cadelinha nisso, que me ajudou demais a escoar tanto amor, a ter alguém para cuidar. Mas não entrava na minha cabeça a idéia de morte súbita, e de que isso acontece.

Procurei um especialista em reprodução humana, o Dr. Joselmo Salvato e então descobri depois de MUITOS exames que tenho uma doença alo imune adquirida. Bem, resumindo, meu organismo não ativa os bloqueadores necessários e ataca a placenta. Cria trompas nela e impede aos poucos a alimentação do bebê. Isso explicou tudo. Explicou a minha fome insaciável, explicou porque na última ultra ele estava menor do que deveria, explicou que eu não deveria engravidar de novo sem saber o que realmente havia acontecido, e portanto meus instintos estavam certos.

Tenho que me preparar para engravidar e tomar corticoide durante toda a gravidez para evitar isso, e ainda assim será uma gravidez de risco. Não tenho opção de parto normal, somente de cesária. A possibilidade de ter que fazer uma cesária antes do tempo correto existe, pois o problema estará sendo monitorado.

Desculpem o longo relato, mas eu precisava deixar tudo explicado para pedir a opinião de vocês. Tendo em vista tudo o que aconteceu, me sinto uma mãe sem filho. É claro que tenho este vazio na minha vida a ser preenchido. Desde o início deste ano estou me preparando para engravidar no início do ano que vem (2012) tomando as vitaminas necessárias, fazendo exames periodicamente, etc. Mas muitas vezes eu me pergunto se eu devo realmente fazer isso. Não por falta de vontade, mas se seria correto correr todo este risco. Sinto este medo, porque não agüentaria passar por tudo isso de novo.

A minha primeira dúvida é:
Se fosse com vocês, tentariam novamente, assim como eu quero tentar?
Confiariam no tratamento mesmo com medo de acontecer tudo de novo?

A minha segunda dúvida é quanto aos médicos:
Tenho profundo agradecimento ao Dr. Humberto e ao Dr. Joselmo também.
O primeiro por tudo que fez durante este trauma e pelo acompanhamento na recuperação. O segundo por ter descoberto o que realmente aconteceu.
Sei que tenho que seguir o tratamento com o segundo, mas será que deveria ser acompanhada pelos dois durante a gestação?
Eu não tenho conexão emocional alguma com o Dr. Joselmo, ele é mais distante.
Já com o Dr. Humberto (que também é um obstetra maravilhoso e muito renomado) eu tenho uma conexão muito forte, e acredito que isto também seja importante.

Vocês acham que numa gravidez eu teria que ser acompanhada pelos dois ou isso geraria conflito no parto, ou não seria legal da minha parte?

Obrigada! Beijos


Quer desabafar aqui também, envie um e-mail para esefosse.comvoce@gmail.com

30 de ago de 2011

Se você fosse a minha sogra, o que faria?

"Bom, não é sobre mim, mas a minha sogra.

Minha sogra sempre foi uma pessoa super independente, mas ao mesmo tempo codependente da aprovação e aceitação dos outros de uma certa maneira. Os irmãos mais velhos dela e até o filho dela mais velho já se aproveitaram dela por diversas formas.

Ela tem dois filhos: o meu esposo e outro filho mais velho.
O filho mais velho é casado com uma jararaca. Ele é pau mandado dela. E às vezes trata a mãe mal por causa dela.

Meu sogro passou dessa pra melhor em julho de 2009 e a minha sogra passou por um tempo muito turbulento, pois foram casados por 38 anos. Um ano depois ela conheceu uma pessoa maravilhosa na net, perdeu peso e tocou a vida. Está linda, leve, loira e com uma nova chance de amar. O namorado é louco por ela. Faz tudo por ela, mas também é firme quando tem que ser.

O filho mais velho que sempre foi uma peste não aceita que a mãe tocou a vida pra frente.
Mesmo quando o pai dele era vivo, ele só se lembrava da mãe pra pedir dinheiro [isso tendo um ótimo emprego e a esposa também] e para usar a mãe de babysitter.

Com a ajuda do namorado, a mãe passou a se impôr e a dizer não, deixando o filho mais velho irado, porque a vida não girava mais em torno do querer dele e nem das outras pessoas.

Bom, a última coisa que aconteceu foi que,no sábado passado pela manhã, a esposa do filho mais velho da minha sogra teve nenê e eles nem ligaram pra ela pra dizer que a bolsa tinha estourado. Só ligaram pra ela no sábado à noite [já tarde] pra dizer que o filho mais novo deles precisava comer e que a irmã da nora estava com fome e ele queria que minha sogra saísse de casa e fosse para o hospital para quebrar esse galho pra ele. Novamente, usando ela.

Tudo se acertou e parecia que eles estavam bem, e ficamos todos de ir visitar a criança na terça passada.
Na segunda à noite o meu cunhado liga pra minha sogra e faz um inferno no telefone, querendo culpá-la por não estar no hospital e por não ter ido visitar a criança lá.
Na terça, quando falei com ela no telefone, ela estava super mal, não tinha dormido de noite e o estômago estava uma bomba.

Terça à tarde fomos visitar a criança e a mulher do meu cunhado disse um oi, soltou uma "piada" com a minha sogra  e desapareceu. Nem perguntou se a gente queria água, suco ou nada. Parecia até que ela estava com raiva porque estávamos ali.
O meu cunhado até estava agindo "normal", mas foi só a mulher aparecer e ficar entre a gente que a personalidade dele mudou.

Aí ele vira pra mãe e diz: você perdeu um dos mais preciosos momentos da minha vida! [só que isso bem baixinho,sabe?], querendo culpar a mãe por não ter estado lá no nascimento do segundo filho.

O meu cunhado não tem moral com a mulher e acaba querendo jogar a frustração dele na mãe.
Mas isso tem que parar, isso tem que ter um fim.
Ele fica projetando a infelicidade dele nela.
Isso não é só com a mãe dele não, é com todo mundo, mas como a maioria das pessoas o poupa, ele sempre acha que não tem nada de errado com ele.
Uma vez ele veio com uma dessas pro meu lado e eu coloquei ele no canto dele bem rapidinho.
Nunca mais se meteu a besta comigo. 

Ela [sogra] é do tipo de pessoa que não se impõe porque tem medo de machucar os outros, mas isso está causando sério riscos à sua saúde, pois acaba internalizando tudo e o corpo responde através da psicossomatização desses eventos. Ela fica se explicando pra ele [e pros outros] quando deveria se impôr. 

O estômago dela já não aguenta muita coisa, a maiora das coisas que ela come faz mal. E olha que ela é uma pessoa em forma, com saúde, mas emocionalmente falando e relacionamente falando, ela está sofrendo de desnutrição. Daqui e acolá ela tem umas palpitações no coração.

Já disse até ao meu esposo que ele precisa se impôr e conversar com o irmão dele porque a mãe dele não tem mais idade e nem saúde pra aguentar esses desaforos não. Mas o meu esposo é que nem a mãe dele, também não quer machucar o irmão. Ele disse que o problema só vai resolver quando ela se impôr, o que faz sentido.

Quero saber, e se fosse com você, o que faria a respeito disso se você fosse a minha sogra?"

p.s.: O conteúdo deste post foi um e-mail enviado dia 26/08/2011 para o e-mail esefosse.comvoce@gmail.com